quarta-feira, 15 de junho de 2011

DOUTRINA DA ADOÇÃO PELO SEMINÁRIO BATISTA

O escriba Valdemir Mota de Menezes leu este texto do autor Edson que é seu conterrâneo do Estado de Sergipe. Aqui está bem sintetizado a doutrina relativo a salvação e a nova posição que Jesus veio nos colocar no plano celestial.

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A Doutrina da adoção
Trabalho em cumprimento de tarefa da
disciplina “Teologia do Novo Testamento”.
Seminário Teológico Batista do Nordeste
Feira de Santana – Bahia
Sétimo semestre – Ano 1996
Professor: Edson Gama de Oliveira

TERMINOLOGIA
O termo “adoção” ocorre cinco vezes no Novo Testamento, todas nas epístolas paulinas: Romanos 8.15,23; Romanos 9.4; Gálatas 4,5 e Efésios 1.5. No grego a palavra é uiotesia) que tem o sentido de uma relação familiar com todos os privilégios e responsabilidades de herdeiros legítimos.

SENTIDO JURÍDICO
Adoção é o ato pelo qual se confere a uma pessoa estranha os mesmos direitos e privilégios (inclusive a herança) de seu filho.
Na sociedade grega e romana, a adoção entre classes superiores era algo relativamente comum. O cidadão adotado por um romano tornava-se praticamente escravo de seu pai adotivo. Tinha direitos, mas também uma lista de deveres.
Outro sentido dado pelos gregos para adoção, era o reconhecimento público de um filho, por seu pai, quando este lhe dava o direito da herança. Isso era feito quando o filho atingia a maioridade. O sentido deste ato era que o filho não precisava mais submeter-se ao pai, e dali pra frente, poderia dirigir a sua própria vida. Estava socialmente emancipado.
A DOUTRINA DA ADOÇÃO NAS EPÍSTOLAS PAULINAS
A adoção tem três sentidos básicos nos escritos de Paulo:
1º - Salienta a nova relação com Deus, que o cristão goza através de Cristo. Esta relação nos eleva a posição de filhos.
2º - Destaca o fato de que a adoção é fruto da Graça, não méritos pessoais.
3º - Destaca o fato de que ninguém é por natureza filho de Deus.
Enquanto João e Pedro usam o termo “regeneração” (grego para caracterizar a filiação cristã, Paulo usa uma figura jurídica, talvez devido ao seu contato com os romanos. Para ele a adoção é algo passado, presente e futuro. Fomos libertos da escravidão do pecado (passado) vivemos um novo estilo de vida, andando em espírito (presente), e vivemos em esperança da ressurreição e redenção do corpo (futuro).
A adoção manifesta a misericórdia de Deus, em salvar por intermédio de Jesus Cristo, e restabelecer a relação entre a criatura e o criador.
Pela adoção passamos a pertencer à família de Deus, recebendo os mesmos direitos que Cristo tinha por direito eterno.
Vejamos o sentido da palavra em cada uma das passagens:


1 – Romanos 8.15 – “Porque não recebestes um espírito de escravidão para vos conduzir ao temor, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!” –Versão Almeida século 21
Aqui Paulo faz um contraste entre “espírito de escravidão” e o “espírito de adoção de filhos pelo qual clamamos: Aba pai”. O escravo serve por medo, por necessidade, por posição inferior e imposta. O filho clama Aba pai (linguagem íntima da criança, na língua aramaica). Jesus usou o mesmo contraste: “já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer”, João 15.15. Isso transforma todo o espírito de nossa vida e atividade cristã.
Paulo ensina a necessidade da filiação cristã, da relação com Deus como Pai em Jesus Cristo mediante o Espírito Santo. Ele prossegue nesse pensamento e afirma que somos filhos e também herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. O Espírito Santo em nossas vidas é o penhor da herança do cristão. (II Coríntios 1.22 – II Coríntios 5.5 e Efésios 1.14).
2 – Romanos 8.23 – “... Também nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, também gememos em nosso íntimo, aguardando ansiosamente nossa adoção, a redenção de nosso corpo.” - Versão Almeida século 21
Paulo afirma que Cristo haverá de redimir não só o espírito, mas também o corpo. O corpo do cristão é tão santo quanto o seu espírito. O triunfo final da graça redentora de Jesus será a ressurreição dos nossos corpos. Quando o corpo e o espírito forem reunidos, estará completa em Deus toda a nossa personalidade. A adoção também pertence ao corpo.
A redenção significará para a natureza inteira, o cumprimento da profecia acerca do deserto que florescerá como a rosa.
Os cristãos, que possuem o penhor do Espírito, esperam pelo momento em que o corpo será liberto do pecado. A ressurreição será então a etapa final da filiação com Deus.
3 – Romanos 9.4 - “Eles são israelitas, e deles são a adoção, a glória, as alianças, a promulgação da lei, o culto e as promessas.” – Versão Almeida século 21
Este versículo faz parte de um contexto, em que Paulo se refere ao povo de Israel (capítulos 9, 10 e 11).
Deus tratou o povo escolhido como filho, herdeiro e sacerdote, servo de IAVÉ. Coube e Jesus todos os títulos de Israel, e Ele realizou o que os israelitas não puderam realizar. Israel era para Deus o filho predileto entre todas as nações. Paulo considera esse fato como uma das glórias de seu povo. Ele usa o mesmo termo “adoção” para designar a condição de Israel como filho.
4 – Gálatas 4.5 – “Para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.” Versão Almeida século 21
No capítulo 4 Paulo prossegue com o mesmo raciocínio do capítulo 3. antes da vinda de Cristo a raça humana estava em período de “minoridade”. O filho, enquanto menor, estava sob os cuidados de seus pais ou tutores, não podendo exercer a sua própria vontade. Era escravo de leis e obrigações, até o dia em que tronava-se adulto, e então era reconhecido como tal, e estava apto a dirigir a sua própria vida. Paulo usa esta comparação para mostrar que antes da vinda de Cristo, o homem estava sob a lei, até que, na plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, para resgatá-lo e adotá-lo como filho.
Conforme a sua infinita graça, Deus tem recebido em sua família aqueles que antes pertenciam a uma família inteiramente diferente (João 8.44); dando-lhe o direito de receber as bênçãos e privilégios dos filhos de Deus. Em Cristo, os cristãos são restaurados à categoria de filhos, membros da grande família divina. É uma transformação radical de categoria: de escravo a filho.
No verso 6 Paulo deixa claro que o ato da adoção, nos proporciona o direito de recebermos o Espírito Santo de Deus.

5 – Efésios 1.5 – “Ele nos predestinou para si mesmo, segundo a boa determinação de sua vontade, para sermos filhos adotivos por meio de Jesus Cristo.” – Versão Almeida século 21
Paulo destaca o fato de que não há destino fatal na vida do cristão, quando diz que “Deus nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo”. A filiação que o homem recebeu de Deus, em virtude de ter sido criado à sua imagem e semelhança, precisava ser renovada após a queda. Esta renovação foi antes de tudo completada no Filho de Deus encarnado e, então, naqueles que estão nele pela fé. A filiação se dá por meio da regeneração e da adoção: enquanto o novo nascimento altera nossa natureza, a doção altera a nossa relação com Deus. Ambas só são possíveis através de Jesus Cristo e sua obra redentora. Deus faz isso “segundo o beneplácito de sua vontade”. Esta expressão engloba a primeira e última expressão do propósito eterno de Deus.
Considerações finais
Pelo nascimento físico, o homem é membro da família de Adão e, como tal, excluído, pelo pecado, da família de Deus. Nascido de novo, passa a fazer parte da família de Deus. Apenas excepcionalmente, a Bíblia fala de Deus como pai de todos os homens, e isso no sentido de ser seu criador e preservador. De modo gral a Bíblia reserva o nome “pai” para designar a nova relação que Ele assumiu para com aqueles que adotou como filhos. São aqueles que nascidos do Espírito, foram transformados e regenerados pelo Sangue do cordeiro.
Diferentemente da adoção humana, a adoção Divina não leva em conta qualidades pessoais. Entretanto é preciso reconhecer que como filhos “adotados” por Deus, Ele como pai, tem o direito de nos corrigir e até nos castigar, a fim de que possamos ser melhores filhos, obedecendo em tudo ao nosso pai. O autor da Epístola aos Hebreus declara que “o Senhor corrige e açoita a qualquer que recebe como filho” (Hebreus 12.6-7).
A filiação por meio da fé tira os homens de debaixo da lei, tornando-os membros e participantes de Cristo.
Quatro consequencias da adoção divina
1ª – Os filhos são emancipados da lei – Gálatas 3.25
2ª – Todos, judeus e gentios, desde que tenham aceitado a Cristo, tornam-se filhos de Deus. Não há distinção – Gálatas 3.28
3ª – Como filhos desfrutamos de todos os direitos como herdeiros das bênçãos de Deus – Gálatas 3.29
4ª – A adoção devolve a dignidade do homem, e o torna consciente de sua nova relação com Deus, através do Espírito Santo – Gálatas 4.6

BIBLIOGRAFIA
1. ALLMEN, J. J. Vocabulário Bíblico, 2ª Ed., Aste, S. Paulo, 1972
2. ROGERS, Cleon & FRITZ, Rienecker, Chave Linguistica do Novo Testamento Grego, Edições Vida Nova, S. Paulo, 1988
3. SHEDD, Russel P. (Editor) Bíblia Vida Nova, Edições Vida Nova, S. Paulo, 1976
4. O novo Comentário da Bíblia, Edições Vida Nova, S. Paulo, 1976
5. Davis, Jonh, Dicionário da Bíblia, 14ª edição, Editora JUERP, Rio de Janeiro, 1985
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7. ELWELL, Walter A. Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã, vol. I, Edições Vida Nova, S. Paulo, 1988
8. GUNTHRIE, Donald, Gálatas, introdução e comentário, 1ª edição, Edições Vida Nova, S. Paulo, 1984
9. TENNEY, Merrill C. Gálatas, escritura da liberdade cristã, 1ª edição, Edições Vida Nova, S. Paulo, 1978
10. TAYLOR, Willian Carey, Doutrinas, Casa Publicadora Batista, Rio de Janeiro, 1952

ADOÇÃO DE FILHO

A doutrina soteriológica da adoção aparece no Novo Testamento como uma promessa de que o cristão alcançará a posição de filho de Deus. No Antigo Testamento não há a promessa para o servo de Deus alcançar tão alta posição celestial. Esta revelação espiritual foi transmitida pelo apóstolo Paulo, que por 5 vezes, em suas cartas faz referência a esta doutrina. (Pelo teólogo Valdemir Mota de Menezes)


PARTE 1




PARTE 2



PARTE 3